
O café na Serra dos Morgados, na cadeia de montanhas da Serra do Espinhaço, em Jaguarari, Bahia, tem tudo a ver com a agricultura familiar. Ele vem sendo cultivado por gerações pelos moradores e acabou virando uma tradição de mais de 100 anos.
Depois de um longo período de queda, quando o cultivo servia basicamente para o consumo das próprias famílias, a comunidade se juntou para retomar o plantio. Hoje, a região se destaca pela produção de cafés orgânicos e artesanais, movimentando a economia local e valorizando a cultura da serra.
A Tradição e o Declínio
No passado, a área chegou a ser um importante polo cafeeiro no semiárido baiano. Mas, com o tempo e as secas fortes típicas da região, a atividade foi perdendo força. O cultivo diminuiu bastante e passou a ser mais voltado para a subsistência e para o consumo das famílias que moram ali.
Retomada e o Café Orgânico
A mudança começou quando os agricultores locais resgataram essa tradição e adaptaram as lavouras para variedades mais adequadas ao clima do semiárido. Com apoio de cooperativas e do governo do estado, o trabalho coletivo ganhou força. Os produtores se organizaram em associações e passaram a fazer o processamento do café em conjunto. Hoje, a região já é reconhecida pela produção de café orgânico e cafés especiais, gerando trabalho, renda e ajudando a preservar o meio ambiente.
O Reconhecimento Atual
Hoje, o número de famílias envolvidas no cultivo mais que dobrou, chegando a cerca de 60 produtores. A cafeicultura local ganhou bastante visibilidade e isso levou à criação de eventos como o Ecofestival do Café da Serra dos Morgados, que celebra a cultura, a colheita e o fortalecimento dessa identidade territorial. A qualidade dos grãos também tem chamado a atenção de cafeterias e marcas de cafés especiais de fora da região, que valorizam tanto a história quanto as notas frutadas e complexas do café.